domingo, 1 de fevereiro de 2009

Como um vento na floresta.




Como um vento na floresta.
Minha emoção não tem fim.
Nada sou, nada me resta.
Não sei quem sou para mim.


E como entre os arvoredos
Há grandes sons de folhagem,
Também agito segredos
No fundo da minha imagem.


E o grande ruído do vento
Que as folhas cobrem de som
Despe-me do pensamento :
Sou ninguém, temo ser bom.


Fernando Pessoa

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