terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Nos Bosques,Perdido...


Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro

E aos labios, sedento, levante seu sussurro:era talvez a voz da chuva

chorando, um sino quebrado ou um coração partido.

Algo que de tão longe me parecia oculto gravemente,

coberto pela terra,um grito ensurdecido por imensos outonos,

pela entreaberta e úmida treva das folhas.

Porém ali, despertando dos sonhos do bosque,

o ramo de avelã cantou sob minha boca

E seu odor errante subiu para o meu entendimento

como se, repentinamente, estivessem me procurando

as raízesque abandonei, a terra perdida com minha infância,

e parei ferido pelo aroma errante.

Não o quero, amada.Para que nada nos prenda

para que não nos una nada.Nem a palavra que perfumou tua boca

nem o que não disseram as palavras.

Nem a festa de amor que não tivemos

nem teus soluços junto à janela…



Pablo Neruda

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